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O peso da sua expectativa

  • Foto do escritor: Felipe Campos
    Felipe Campos
  • 3 de fev.
  • 2 min de leitura

Você já parou para pensar na palavra expectativa? Se a gente descascar a origem dela, encontramos o ex (fora) e o spectare (olhar). Ter uma expectativa é, literalmente, colocar-se para fora de si para se observar.


Na psicanálise, isso faz um sentido profundo e doloroso. Quando vivemos na expectativa, a gente abandona o próprio corpo, o próprio presente, e passa a se enxergar como um objeto na vitrine. A pergunta deixa de ser "Como eu me sinto?" para ser "Como eu pareço?". É o olhar do outro, do pai, da mãe, da sociedade ou do guia espiritual que a gente idealiza, que passa a ditar se estamos "no caminho certo". E aí nasce a angústia.


Lacan nos ensinou que a angústia não é o medo de algo ruim acontecer. A angústia é o sinal de que o nosso desejo está perdido no desejo do outro. Quando você vai para o terreiro e fica angustiado porque sua incorporação "não é igual à do vizinho", ou porque sua vida financeira não deu o salto que você esperava após aquela oferenda, você caiu na armadilha da expectativa. Você saiu de si.


A angústia é esse aperto que avisa: "Ei, você não está em casa. Você saiu para morar em um futuro que nem existe ainda."

  • A Expectativa é uma imagem fixa: Ela é dura, não aceita curvas.

  • A Vida é fluxo: Ela é o rio que contorna a pedra.


Na Umbanda, a gente aprende que o Orixá é força da natureza. A natureza não espera, ela é. O mar não faz força para ser onda, a mata não tem expectativa de ser verde na próxima primavera. Elas simplesmente manifestam sua essência. A nossa mediunidade sofre quando a gente coloca "ex-pectativa" nela. Se eu fico me olhando de fora, tentando avaliar se meu Caboclo está "bonito" ou se meu Preto-Velho está falando "certo", eu corto o fio da conexão. A espiritualidade exige entrega, e a entrega é o oposto exato da expectativa. Entregar é voltar para dentro, é confiar que o que temos hoje é o material necessário para a nossa evolução agora.


Se a expectativa é esse "olhar de fora", a cura é o sentir de dentro.

  1. Valide sua falta: Na psicanálise, aceitar que somos "faltantes" é libertador. Você não precisa ser completo, nem perfeito, nem ter todas as respostas.

  2. Menos "Por que?" e mais "Para que?": Em vez de se cobrar por não estar onde imaginou, pergunte-se o que o momento atual está sussurrando no seu ouvido.

  3. Humildade de Caboclo: O Caboclo pisa no chão com força porque ele sabe onde está. Volte para o seu corpo, sinta o chão e respire.


A vida acontece no intervalo entre o que a gente planejou e o que realmente é. E é nesse intervalo, nesse espaço sagrado e muitas vezes bagunçado, que o nosso verdadeiro Eu (e os nossos Guias) nos encontra. Menos espelho, mais janela

. Menos olhar de fora, mais sentir de dentro.

 
 
 

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